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domingo, 15 de março de 2026

O JOGO DA ENERGIA: O que Donald Trump, o Paraguai e Washington podem estar preparando contra o Brasil já em 2027. Crônica de um futuro que pode já ter começado


O JOGO DA ENERGIA: O que Donald Trump, o Paraguai e Washington podem estar preparando contra o Brasil já em 2027

Crônica de um futuro que pode já ter começado

 Por: Sergio José Araujo da Silva

Brasília, março de 2026.

Dizem que o diabo mora nos detalhes. Mas, neste caso, ele parecia estar tomando café da manhã em um campo de golfe na Flórida. Foi em Doral, Miami, propriedade de Donald Trump, que alguns dos líderes políticos mais alinhados aos interesses estratégicos de Washington se reuniram sob o sol da Flórida. Entre eles estavam o presidente argentino Javier Milei, o presidente paraguaio Santiago Peña e o presidente salvadorenho Nayib Bukele.

Oficialmente, o encontro tratava de segurança continental. Combate ao narcotráfico. Cooperação estratégica. Mas a geopolítica raramente se limita ao que aparece nos comunicados oficiais. Porque, às vezes, o assunto mais importante da mesa não é mencionado.

E, naquele encontro, um tema pairava no ar como um elefante invisível: energia. A peça-chave chamada Itaipu. No centro dessa possível nova disputa energética está a gigantesca usina de Itaipu Dam, uma das maiores hidrelétricas do planeta e responsável por grande parte da energia consumida no Brasil e no Paraguai.

Desde sua criação, o acordo entre os dois países estabeleceu que o Paraguai venderia ao Brasil o excedente de energia que não utilizasse. Foi esse modelo que, durante décadas, garantiu estabilidade energética para o Brasil e receitas importantes para o Paraguai. Mas o mundo de 2026 já não é o mesmo de quando Itaipu foi construída. E o ano de 2027 se aproxima como um divisor de águas.

Nesse ano, cláusulas fundamentais do tratado poderão ser renegociadas. E isso muda tudo. Energia virou arma geopolítica. Hoje, energia elétrica não significa apenas luz nas casas ou máquinas funcionando nas fábricas. Ela significa poder tecnológico. Os novos data centers que alimentam a inteligência artificial, por exemplo, consomem quantidades gigantescas de energia. Empresas de tecnologia disputam fontes energéticas como se fossem campos de petróleo do século XXI. Nesse contexto, o Paraguai passa a ter algo extremamente valioso: energia abundante e barata. E se essa energia deixar de ter como destino prioritário o Brasil? Quem estaria disposto a pagar mais? Empresas americanas? Gigantes da tecnologia? Talvez até potências asiáticas?

Em geopolítica, a pergunta nunca é “se alguém vai tentar”. A pergunta é “quando”.

O risco silencioso para o Brasil. Se o Paraguai decidir, no futuro próximo, vender sua energia excedente no mercado internacional — ou direcioná-la para novos projetos tecnológicos dentro de seu próprio território — o impacto pode ser profundo. O Brasil perderia uma fonte energética estratégica. Data centers que poderiam ser instalados em São Paulo, Minas ou Rio de Janeiro poderiam surgir do outro lado da fronteira. Empregos, tecnologia e inovação migrariam junto com a energia.

Enquanto isso, o Brasil correria o risco de continuar dependente de um modelo econômico baseado principalmente em exportação de commodities: Soja; Minério; Petróleo. E cada vez menos indústria tecnológica.

O alerta que o Brasil precisa ouvir. Talvez nada disso aconteça. Talvez Itaipu continue sendo, por muitas décadas, um exemplo de cooperação entre países vizinhos. Mas ignorar o cenário internacional seria um erro estratégico. Porque o mundo vive uma nova disputa global por três recursos fundamentais: energia, tecnologia e dados. E quem controla a energia controla, em grande medida, o futuro tecnológico.

Uma questão de urgência para o Brasil resolver em 2027. Dentro de poucos meses o Brasil entrará novamente em ciclo eleitoral. Em 2027, um novo governo — ou a continuidade do atual — terá diante de si um desafio estratégico enorme: renegociar os termos de Itaipu e redefinir o papel do Brasil nesse novo tabuleiro energético.

A questão não é apenas diplomática. É histórica. Porque a energia que ilumina o Brasil hoje pode definir o lugar do país na economia do futuro. E o futuro, como sabemos, raramente espera pelos distraídos. ...

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